As reuniões do Copom acontecem hoje e amanhã
David de Andrade Rocha (*)

Hoje, 30, e amanhã, 31, o Copom (Comitê de Políticas Monetárias) irá se reunir novamente para decidir o futuro da taxa Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, cuja sigla significa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. O mercado já precifica uma queda na ordem de 0,25% ao ano para a taxa, fazendo-a cair de 6,50% para 6,25% ao ano. Mas, muitos podem se perguntar: no que a taxa Selic afeta a vida do brasileiro, sobretudo do sergipano? Bom, vejamos isso agora.

A taxa Selic é a principal taxa de juros do mercado, servindo como norte para todas as outras taxas que se pode imaginar. Logo, quando a taxa Selic está alta, podemos imaginar que as taxas bancárias também estarão. Incluem-se aqui as taxas do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial.

Logo, quando a taxa Selic baixa, o crédito fica mais barato e os juros também têm uma redução. Partindo dessa ideia, podemos ver que uma diminuição da taxa Selic nesse momento pode ser muito proveitosa para todos, se ela de fato ocorrer.

Ao diminuir a taxa Selic o governo quer destravar a economia, que, como vemos diariamente, está estagnada, pois o crédito ficando mais barato pode auxiliar o empreendedor a começar um negócio, por exemplo, o que levaria a uma possível geração de empregos em médio prazo.

Já sobre o modo como a redução da taxa Selic afeta a vida do sergipano, podemos ver o que ocorre por duas perspectivas:

1 – Aqueles que têm dívidas

Uma redução mínima que seja na taxa Selic puxa todas as taxas do mercado para baixo. Nesse caso, para aqueles que hoje estão com dívidas (empréstimos, cheque especial, financiamentos, etc.) pode ser um bom momento para negociar com o banco, pois, muito provavelmente (a depender do seu atual perfil de risco), você conseguirá taxas melhores que as do momento da contratação do empréstimo.

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Por exemplo, digamos que alguém tenha feito um empréstimo direto ao consumidor (CDC) com taxa de 5% ao mês, em 2018. Agora, com a redução da taxa Selic, ele talvez renegocie essa dívida conseguindo, digamos, juros de 3,5% ao mês, isso se traduz em uma boa economia com juros.

Pois, se essa pessoa tivesse pegado R$ 10.000,00 para o prazo de 36 meses com custo efetivo de 5% ao mês, teria a seguinte situação: 36 parcelas de R$ 604,34. Valor total da dívida R$ 21.756,24. Se a pessoa pagou 12 parcelas, teria a seguinte situação: Saldo devedor R$ 8.339,07 (sem juros), faltando ainda pagar 24x de R$ 604,34 ou R$ 14.504,16.

Mas, se a pessoa fosse ao banco e conseguisse um refinanciamento para 24 vezes do saldo de R$ 8.339,07, com juros de 3,5% ao mês, teria a seguinte situação: 24 prestações de R$ 519,3. Total pago no final R$ 12.463,2. Logo, com a renegociação, a pessoa pode reduzir as parcelas em quase R$ 100,00 e ainda economizar R$ 2.040,96 em juros no mesmo período.

A tabela abaixo resume esse exemplo:

Empréstimo R$ 10.000,00 Empréstimo da negociação R$ 8.339,07
Juros 5% ao mês Juros 3,5% ao mês
Nº de parcelas 36 Nº de parcelas 24
Saldo devedor após 12 meses R$ 8.339,07
Restante a pagar com juros R$ 14.504,16 Total a pagar com juros R$ 12.463,2
  Economia R$ 2.040,96
Os cálculos foram feitos levando em conta a tabela de amortização Price (a mais comum no mercado) se o seu financiamento for pela tabela SACs os resultados seriam ainda melhores.

Vemos nesse exemplo ilustrativo que se a pessoa, após 12 meses, renegociasse sua dívida com a taxa de juros menor, ela pouparia mais de R$ 2.000,00, o que representaria 20% de sua dívida inicial. Portanto, vale a pena o trabalho de renegociar dívidas quando a taxa Selic cai, já que a possibilidade é de que a pessoa possa economizar muito com juros.

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2 – O Caso dos Investidores

Já para o investidor, uma queda na taxa Selic seria um prenúncio de taxas de retorno menores para seus investimentos na renda fixa e produtos mais conservadores.

Aqueles que hoje têm títulos com taxas de juros prefixadas veriam uma rápida rentabilidade de seus títulos devido à marcação a mercado. Mas, para aqueles que iriam investir a partir da queda da taxa Selic teriam de se preocupar, principalmente, com as taxas de retorno real de seus investimentos, já que essas seriam mais baixas.

Sendo assim, existe a perspectiva, por parte dos analistas, que a partir do momento que a taxa Selic venha a cair, os investidores irão procurar ativos de risco um pouco maiores, buscando a rentabilidade desses, tais como: Fundos de Investimentos Imobiliários, Fundos de Investimentos Multimercado e Ações ou Fundos de Ações.

É esperado um movimento de migração por parte dos investidores para a Bolsa, mas, nesse caso, ainda sou conservador. Não acredito que seja um movimento tão rápido quanto o mercado espera, já que os investidores mais precavidos já precificaram a queda da taxa Selic.

O que importa agora é que o investidor se prepare para aproveitar esse movimento. O melhor a se fazer é estudar, consultar seus assessores de investimentos para estar bem posicionado e poder aproveitar as oportunidades que podem se abrir em outros investimentos que não a renda fixa.

Por fim, podemos considerar que uma queda da taxa Selic poderia a médio prazo beneficiar o Sergipano de modo geral, pois, aumentaria o crédito na praça e com isso o consumo viria a crescer, o que geraria mais investimentos por partes dos empresários e, naturalmente, geraria alguns empregos, o que nesse momento da nossa economia está sendo deveras necessário.

Sem mais para o momento, vamos esperar as decisões do Copom.

(*) David de Andrade Rocha escreve semanalmente, às terças-feira. Ele é assessor de investimentos e educador financeiro, que vive o mercado diariamente, desde 2011, e autor do livro Tesouro Direto – Um Caminho para a liberdade financeira de 2016.